Königreich Württemberg

FREDERIK II

pela graça de Sua Germânica Majestade Imperial, Rei de Württemberg, Príncipe de Thurn und Taxis, Margrave de Baden, Burgrave de Stuttgart, Conde Palatino de Daun, Senhor de Eifel, Príncipe Herdeiro da Baviera, Conde de Riedenberg, de Šternberk, Barão de Richtenberg; Cavaleiro Grande Colar da Mais Nobre Ordem de Otto o Grande e da Mais Antiga Ordem da Cruz de Ferro, Condestável da Ilustríssima Ordem do Cisne; Grão-Mestre da Ordem da Floresta Negra e da Ordem de São Jorge e Santo Antônio; Cavaleiro Comandante da Honorável Ordem de Carlos IV; Duque de Wormsdager, Senhor de Gotemburgo, de Voss, de Karleby e de Mäls; Cavaleiro da Mais Distinta Ordem do Tosão de Ouro, da Ordem da Cruz de Afonso Fundador, Grande-Oficial da Real Ordem da Coroa da Kováquia e da Real Ordem da Amizade, Chefe da Casa de Thurn und Taxis, ramo cadete da Casa Real de Hohenzollern.

Aos mui nobres Senhores e às mui nobres Damas de Württemberg, aos Cavaleiros e às Guardiãs de Nossas Ordens e a todo o povo que vive sob a memória de Nossos estandartes, dirigimos estas palavras neste dia da Assembleia dos Ancestrais, quando a memória daqueles que nos precederam nos convida a refletir sobre a natureza de nossos próprios caminhos e sobre o legado que deixaremos aos que vierem depois de Nós.

Durante Nosso recolhimento à Floresta Negra, sob a sombra dos antigos carvalhos, dedicamo-Nos a refletir sobre a Coroa que portamos, os juramentos que pronunciamos e as responsabilidades que assumimos. Compreendemos que a verdadeira grandeza de um homem não reside apenas naquilo que conquista ou conserva, mas também na sabedoria de reconhecer quando chegou o momento de entregar o que lhe foi confiado. Um Reino deve ser maior do que seu soberano, assim como uma instituição deve sobreviver àqueles que temporariamente a conduzem. Por essa razão, após madura reflexão, renunciamos, livre e irrevogavelmente, à Coroa do Reino de Württemberg, às dignidades de Burgrave de Estugarda e Margrave de Baden, bem como aos Grão-Mestrados da Ordem da Floresta Negra e da Ordem de São Jorge e Santo Antônio.

Ao povo de Württemberg, deixamos Nossa mais profunda gratidão. Este Reino jamais representou para Nós apenas uma dignidade ou um território, mas uma comunidade de pessoas, memórias e esperanças que deu sentido ao exercício de Nossa soberania. Levaremos conosco a lembrança daqueles que compartilharam esta jornada e a satisfação de termos contribuído para uma história que não termina com Nossa partida. Que os futuros governantes tenham sabedoria para preservar o que merece ser preservado e coragem para construir aquilo que os novos tempos exigirem.

Ao Imperador, Nosso amado tio, dedicamos um agradecimento muito especial. Seu apoio, sua confiança e, sobretudo, a compreensão com que acolheu Nossa decisão foram de inestimável importância neste momento. Sua postura demonstrou que a lealdade entre membros de uma mesma Casa não depende da permanência nos mesmos encargos, mas da estima e do respeito que resistem às circunstâncias. Receba Nosso reconhecimento mais profundo e a certeza de que nenhuma dignidade deixada para trás será capaz de diminuir o afeto que lhe dedicamos.

Entre todas as responsabilidades que agora entregamos, nenhuma ocupa lugar tão especial em Nossa memória quanto a Schwarzwald-Orden, a Ordem da Floresta Negra. Para Nós, ela jamais foi apenas uma instituição de Cavaleiros ou um conjunto de cerimônias, mas uma fraternidade dedicada à preservação de uma tradição, à honra da palavra empenhada, à memória dos antepassados e à reverência pelos antigos mistérios. Nela depositamos sonhos, trabalho e uma parte de Nosso próprio espírito, encontrando entre seus membros algo que poucas instituições conseguem proporcionar: o sentimento de pertencimento a uma causa que ultrapassa a existência de qualquer um de seus dirigentes.

Sua história nos ensinou que as instituições verdadeiramente importantes não sobrevivem pela força de seus dirigentes, mas pela fidelidade daqueles que compreendem a razão de sua existência. Quando Conrad I avistou o Cervo Sagrado entre as árvores, estabeleceu-se um vínculo entre a memória ancestral daquele território e o dever daqueles que dele se aproximariam. Séculos depois, em Nossa própria jornada, voltamos a encontrar o Guardião dos Mistérios e, ao retornar ao Palácio de Ludwigsburg, descobrimos nos arquivos da Biblioteca Real o manuscrito deixado por Conrad I, que narrava seu encontro e os fundamentos da Ordem.

A revelação foi clara como a luz do sol: o dever da Ordem jamais cessara, apenas adormecera, aguardando o momento de sua renovação.

Foi com essa convicção que empreendemos sua refundação, restaurando seus compromissos e reunindo novamente aqueles que desejavam servir à sua causa. Cada vigília, cerimônia e juramento representaram a continuidade de uma história que não deveria desaparecer. Aos Cavaleiros, às Guardiãs, aos Irmãos e às Irmãs da Ordem, deixamos Nosso carinho e reconhecimento. Custa-Nos profundamente abandonar o Grão-Mestrado, pois há obras às quais um homem entrega não apenas seu tempo, mas também uma parte de sua alma. Confiamos que a Schwarzwald-Orden continuará a florescer sob aqueles que receberem a responsabilidade de conduzi-la. Guardai sua fraternidade, respeitai seus ritos e jamais permitais que sua finalidade seja reduzida à vaidade dos títulos ou à aparência das insígnias. A Ordem é maior do que seu Grão-Mestre, e seu dever permanecerá enquanto houver quem esteja disposto a honrá-lo. Deixamos sua direção com o coração agradecido, mas com a convicção de que aquilo que ajudamos a despertar não voltará a adormecer.

À Ordem de São Jorge e Santo Antônio, deixamos igualmente Nosso reconhecimento e gratidão, desejando que seus membros prossigam em suas obras de caridade, estudo, tradição e virtude. Que os compromissos assumidos sob seu estandarte encontrem continuidade e que seus futuros dirigentes preservem a dignidade da instituição.

Quanto à Floresta Negra, não nos despedimos dela, pois existem lugares que deixam de ser simples territórios e passam a constituir parte da própria identidade de um homem. Seus antigos carvalhos guardam a memória de Nossa passagem, assim como suas veredas testemunharam momentos que jamais poderão ser reproduzidos nos registros das Cortes. Aprendemos ali que nenhuma Coroa é maior do que o dever de honrar a terra sobre a qual foi recebida e que a autoridade dos homens, por mais elevada que seja, permanece limitada diante dos mistérios que os antecederam.

Por essa razão, regressaremos à antiga clareira da Schwarzwald, precisamente ao lugar onde Conrad I avistou pela primeira vez o Cervo Sagrado e onde, em Nossa própria jornada, encontramos novamente o Guardião dos Mistérios e recebemos Sua bênção para a refundação do Reino de Württemberg. Ali depositaremos esta Carta, junto às raízes dos carvalhos que testemunharam o princípio de Nossa história. A Floresta Negra não reconhece coroas, não se curva diante dos soberanos e não pertence àquele que a governa em nome dos homens, mas àquele que desde tempos imemoriais guarda seus mistérios. Os reis passam e os títulos mudam de mãos, mas a antiga autoridade permanece. Ao Cervo Sagrado devolveremos aquilo que sob Sua bênção recebemos: a Coroa e o encargo de guardar Württemberg.

E quanto ao Filho da Floresta Negra, que não haja equívoco quanto ao significado desta renúncia: Frederik entrega a Coroa, abandona os castelos e deixa para trás as dignidades que lhe foram confiadas, mas não renuncia àquilo que recebeu de uma autoridade mais antiga do que qualquer soberania humana. Antes que os homens lhe concedessem títulos, os antigos carvalhos já o haviam coroado como seu Filho. Essa distinção não consta dos registros das Casas Reais, tampouco depende da vontade de qualquer assembleia; pertence à origem, à memória e àquilo que o tempo não pode revogar.

Não confundais, portanto, retirada com desaparecimento. Há momentos em que o silêncio é mais prudente do que qualquer proclamação e circunstâncias em que convém deixar que os acontecimentos precedam as palavras. Seguiremos nosso caminho sem anunciar seus propósitos, pois a História raramente revela antecipadamente os desígnios que prepara.

Feita e assinada no coração da Floresta Negra, na antiga clareira do primeiro encontro com o Cervo Sagrado e da bênção que acompanhou a refundação do Reino de Württemberg, por ocasião da Assembleia dos Ancestrais.

Philipp Frederik von Hohenzollern-Pellegrini zu Thurn und Taxis

Filho da Floresta Negra
Príncipe de Thurn und Taxis
Príncipe Herdeiro da Baviera

Que os carvalhos guardem o juramento, que a névoa conserve o segredo e que o Cervo Sagrado receba de volta aquilo que um dia Nos confiou: a Coroa e o encargo de guardar Württemberg. A Ele devolvemos o que sob Sua bênção recebemos, regressando, enfim, à nossa primeira morada